Pular para o conteúdo principal

Isenções fiscais para instituições filantrópicas geram retorno social e econômico, afirmam debatedores



As instituições filantrópicas recebem benefícios e isenções do governo, mas geram alto retorno para a sociedade e não devem ser consideradas "vilãs" das contas públicas. Este foi o entendimento da maioria dos participantes da audiência na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) sobre a relevância dessas entidades para o Brasil, nesta quinta-feira (5).
Elas estão enfrentando problemas, já que uma série de medidas adotadas pelo governo tem dificultado a renovação ou a conquista da Certificação de Entidades de Assistência Social (Cebas), que lhes garante isenção de impostos previdenciários. A Reforma da Previdência (PEC 283/2017, na Câmara) propõe o fim desses benefícios fiscais.
Para demonstrar se há qualidade nesse gasto estatal e a contrapartida que dão, beneficiando os cidadãos, os palestrantes defenderam a edição de regulamentação que traga transparência e sistematização aos dados referentes às filantrópicas, unificando as informações dos três ministérios ligados ao tema (Saúde, Educação e Assistência Social) mais a Receita Federal.
Esses dados sistematizados evidenciariam, num diagnóstico científico, o quanto as filantrópicas dão de retorno à sociedade e isso daria mais critérios para o poder público tomar decisões, frisou Custódio Pereira, presidente do Fórum Nacional das Instituições Filantrópicas (Fonif), que representa nove mil entidades beneficentes. A senadora Ana Amélia (PP-RS), proponente da audiência, prometeu acompanhar a questão.
O dirigente lembrou que mais de 50 setores econômicos são beneficiados com desonerações fiscais no país — como o automobilístico — mas apenas a filantropia está sob foco. De acordo com Custódio, que citou dados de estudo encomendado pela Fonif, para cada R$ 1 investido pelo Estado nas filantrópicas certificadas, R$ 5,92 retornam para a sociedade, e a população não sabe desse trabalho. No Brasil, em média, 41% dos hospitais que atendem pelo SUS são filantrópicos, disse.
— A arrecadação total da Previdência é de R$ 348 bilhões. A imunidade dada às filantrópicas representa 2,87% [R$ 10 bilhões], portanto, elas não são responsáveis pelo problema da Previdência.  Pelo contrário, são importante braço para o governo e dão importante retorno a esse investimento, a esse recurso que é dado a elas — afirmou Pereira.

Saúde

Nos atendimentos de saúde, os números da filantropia são expressivos. De acordo com Bruno Gontijo, responsável pela área que concede o Cebas, no Ministério da Saúde, 40% dos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) são ofertados por estabelecimentos filantrópicos. São 1.731 municípios brasileiros com filantrópicos, e 55,9% desses municípios têm apenas esse tipo de hospital. As instituições se concentram nas regiões Sul e Sudeste. No Rio Grande do Sul, chegam a representar 70% da rede, número bem mais elevado que a média nacional.
Gontijo destacou ainda que 58,95% de todas as internações de Alta Complexidade no SUS são realizadas por hospitais filantrópicos: 69,35% de rádio e quimioterapias e 58,14% de transplantes de órgãos e tecidos, como córneas, o que evidencia a importância das entidades.

Receita

Claudemir Malaquias, representante da Receita Federal, disse que é preciso cuidado na concessão de benefícios fiscais para qualquer setor, já que arrecadação no país tende a não conseguir financiar a Previdência Social no futuro. Ele defendeu uma revisão da tributação sobre a renda das pessoas físicas e jurídicas e dos benefícios fiscais concedidos com base na redução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e das Contribuições Sobre o Lucro Líquido (CSLL) e do PIS/Cofins. Para fugir da tributação, pessoas físicas se tornam jurídicas para pagar menos imposto sobre a renda, afetando os cofres públicos, exemplificou.
Malaquias também defendeu a fiscalização rigorosa das entidades beneficentes, para que ocorra a rápida exclusão das que não cumprem os requisitos legais, com a cassação do Cebas e, assim, a Receita possa cobrar o benefício fiscal usufruído irregularmente. Só em 2016, 197 entidades foram autuadas e tiveram que recolher impostos atrasados.
— Foram quase R$ 3 bilhões. No ano todo, toda a renúncia de todas as entidades ficou em R$ 10,5 bilhões — disse.




Fonte: Senado Notícias 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Da inversão do ônus da prova, contra o INSS, face à violação da boa-fé processual

Acompanhe no Facebook. Dúvidas: prof.ricardosouza.prev@gmail.com Esta postagem é dedicada ao advogado e professor André Vasconcelos que ministrou grande aula sobre a IN 77/2015.  Atento às considerações do mestre, resolvi escrevê-la, defendendo a inversão do ônus da prova nas situações em que o INSS viola os próprios deveres processuais, no plano administrativo. Espero que gostem: O artigo 659, IV, da IN nº 77/2015, explicita o dever de boa-fé que deve orientar a conduta do INSS durante a condução do processo administrativo previdenciário. Atentando para o ensinamento de Martins (2000, MARTINS, Flávio Alves. Boa-fé e sua formalização no direito das obrigações Brasileiro . 2. ed. Lumen Júris, 2000, p. 73), entende-se como boa-fé objetiva: "A boa-fé, no sentido objetivo, é um dever das partes, dentro de uma relação jurídica, se comportar tomando por fundamento a confiança que deve existir, de maneira correta e leal; mais especificamente, caracteriza-se c...

São Paulo suspende 1º pedido de aposentadoria de pessoa trans no estado por ‘dúvidas jurídicas’

O estado de São Paulo lida pela primeira vez com um pedido de aposentadoria de uma pessoa trans e analisa se o tempo de trabalho a ser considerado é aquele estabelecido para homens ou mulheres. Enquanto isso, o servidor público em questão foi mandado de volta ao trabalho no Centro de Detenção Provisória do Butantã. No Dia da Visibilidade Trans, celebrado nesta quarta-feira (29), o agente penitenciário e homem trans Jill Alves reivindica o direito de se aposentar. Aos 54 anos e com quase 32 anos de trabalho no sistema prisional, Jill deu entrada no pedido de aposentadoria no dia 11 de julho de 2019 com a documentação que tinha, no gênero feminino. O protocolo determinava que, após o envio da documentação, ele trabalhasse por mais 3 meses e depois aguardasse em casa a decisão da São Paulo Previdência (SPPrev). Paralelamente, duas semanas mais tarde, teve a notícia de que a retificação de nome e gênero que havia solicitado há 4 anos como homem trans fora aceita e que a nova certi...

Justiça Federal concede auxílio-acidente a segurado atropelado fora do expediente

A Justiça Federal determinou que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) implante o benefício de auxílio-acidente após o término do prazo do auxílio-doença de um segurado em 45 dias. Segundo a decisão da Turma Regional Suplementar do Paraná do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), o auxílio-acidente é devido quando o segurado padece, após acidente não relacionado ao trabalho, de sequela irreversível, redutora da capacidade de exercer a sua ocupação habitual. A decisão foi tomada no início de julho e reformou sentença de primeiro grau. O autor da ação tem 40 anos, mora em Califórnia (PR), e é auxiliar de produção em uma fábrica de móveis. Ele foi vítima de um atropelamento em 2007 e passou a receber auxílio-doença por dois meses. Terminado o prazo, ele requereu auxílio-acidente, que foi negado administrativamente, levando-o a ajuizar ação em primeiro grau. O pedido foi negado e ele recorreu ao tribunal.